NEM TUDO QUE RELUZ É OURO
O famoso Verão Show de São Sebastião, este ano tenta vestir roupa de grande festival, mas foi jogado num espaço apertado, espremido entre a Festa do Padroeiro e um Feirão do Brás improvisado.
Resultado: tudo junto, misturado e mal resolvido. Telões? Só para quem consegue ficar colado na fila do gargarejo.
O restante do público disperso pela avenida, ouvindo um som distante, quase imaginário, tentando adivinhar a música pelo refrão do coro alheio.
A experiência vira prova de resistência. Falta estrutura básica: banheiros próximos, organização do fluxo, áreas minimamente pensadas para quem não é VIP — aliás, VIP de quê? Para a maioria, os shows são mais sensação do que espetáculo. Vê-se gente parada, andando, desistindo. Um festival que prometia encontro virou desencontro.
Não falta público, falta planejamento.
Quando se mistura devoção, comércio popular e megaevento musical no mesmo liquidificador, sem critério, o que sai não é diversidade cultural — é ruído. E ruído, infelizmente, foi o que mais se ouve no Verão Show 2026 de São Sebastião.
Tivesse os organizadores pensado no mesmo evento em outra data. Onde o Complexo Turístico da Rua da Praia, fosse preparado especialmente para o festival. Aí sim, poderia ser um grande sucesso e fazer parte do calendário cultural da cidade, colocando São Sebastião no Top dos Festivais Nacionais